Iniciativa inovadora de intervenção lançada pelo ICAD
Portugal abriu a primeira unidade pública para tratar dependência do jogo a dinheiro.
O Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências (ICAD) inaugurou a “Unidade de Intervenção no Jogo”. Tratar doentes dependentes de jogo a dinheiro já tem um local próprio.
O primeiro centro público do país dedicado exclusivamente ao tratamento da dependência de jogo abriu portas esta quinta-feira, 18 de junho, em Lisboa. A “Unidade de Intervenção no Jogo” vai funcionar em regime de ambulatório, com instalações provisórias em Marvila, no edifício do Espaço Jovem de Lisboa, cedido pelo Município.
Com um horário de funcionamento entre as 08h30 e as 16h30, de segunda a sexta-feira, o espaço de tratamento, com duas salas de intervenção individual e uma sala de grupo, receberá utentes encaminhados pelas Unidades de Intervenção Local do ICAD, I.P. e pelo Serviço Nacional de Saúde (através dos médicos de família).
A unidade especializada conta com uma equipa multidisciplinar, composta por psiquiatras, psicólogos, assistentes sociais, especialistas em contabilidade e profissionais de apoio administrativo. «Que este seja um próspero início de um espaço inovador e transformador de vidas», disse Renato Lourenço da Silva, Adjunto da Secretária de Estado da Saúde, Ana Povo.
Além da intervenção clínica, os utentes poderão beneficiar de apoio na gestão das dívidas frequentemente associadas ao jogo patológico. «Haverá também um acompanhamento das famílias, muitas vezes profundamente afetadas pela dependência», salientaram a Presidente do Conselho Diretivo do ICAD, I.P., Joana Teixeira, bem como os vogais Sofia Albuquerque e Marco Silva.
Nesse sentido, este novo serviço contará com o apoio de um contabilista que vai prestar aconselhamento financeiro e que ajudará a gerir eventuais dívidas dos doentes. «Com a gravidade da patologia, acontecem situações financeiras muito complicadas!», salientou a responsável do ICAD.
Por enquanto, os doentes da “Unidade de Intervenção no Jogo” têm de ter idade superior a 18 anos. Atualmente, o perfil do jogador a dinheiro pertence ao sexo masculino e tem entre os 15 e os 34 anos. «Ponderamos alargar a resposta a outros grupos etários e, também, à utilização problemática de videojogos», acrescentou Joana Teixeira.
Na cerimónia de inauguração, esteve igualmente presente a Vereadora do Município de Lisboa, Maria Luísa Aldim, a Coordenadora da “Unidade de Intervenção no Jogo”, Maria Cristina Mesquita, o responsável clínico, João Reis, o perito em gambling (jogo a dinheiro), João Marques, o consultor do ICAD, I.P., Pedro Hubert, entre outros convidados, dirigentes do ICAD, I.P. e profissionais de saúde do setor público e privado.
No final deste mês de junho, no dia 29, abre no Porto um programa de tratamento de dependências de videojogos (gaming). Neste programa, ao contrário da faixa etária do jogo a dinheiro, não haverá limitação de idade para tratar o doente, na medida em que a maior parte dos utilizadores problemáticos são jovens que frequentam o 3.º ciclo e o ensino secundário.